A inconveniente visita de 3 meses da diabetes gestacional… (parte 2)

Na semana passada iniciei uma série de posts sobre minha experiência com a diabetes gestacional (DMG). Dando continuidade ao assunto, neste segundo post falarei sobre os controles da diabetes, algo importantíssimo para o acompanhamento da doença e ainda mais durante a gravidez. E para honrar o nome do blog no final do post tem o link para baixar a planilha de controle que eu criei para me ajudar nesta fase! 😉

A primeira etapa de controle da DMG é fazer os testes de tolerância à glicose, que já citei no 1o post, para detectar o desenvolvimento dela. O típico da doença é aparecer somente no 3o trimestre, porém como tenho alguns fatores de risco no meu histórico fiz o teste também no início da gestação – e como esperado, deu negativo. No início do 3o trimestre das minhas duas gravidezes voltei a fazer o teste e ambos deram positivo, o que já era esperado mas mesmo assim sinto uma impotência muito grande de não poder fazer algo a respeito para evitar a DMG. Mantenho uma alimentação saudável na grande maioria das minhas refeições, pratico atividades físicas, sou magra e mesmo assim os fatores genéticos não colaboram… Bem, o que resta é cuidar bem de mim e do bebê nesta fase final!

Não sei se já ouviram, mas a diabetes tem o apelido de doença silenciosa. Isso porque ela normalmente não apresenta muitos sintomas, como por exemplo passar mal pois você comeu açúcar demais. Isso torna a importância dos controles ainda mais primordial: você só saberá como seu corpo está reagindo se medir frequentemente a sua glicemia no sangue, e isso é feito através daqueles monitores glicêmicos que medem o sangue na ponta dos dedos. As agulhinhas que furam o dedo são tão fininhas que a gente nem sente, o que dói mais é o bolso, pois apesar do aparelho em si não ser caro (em torno de R$ 60) as fitinhas e lancetas descartáveis que usamos a cada medição tem um valor bem salgado! Parece que existe algumas formas de fazer este processo pelas UBS do SUS, mas não sei afirmar pois nunca fui atrás. De qualquer forma, este é o mecanismo mais eficaz de se saber como a diabetes está agindo no seu organismo! E, claro, também se deve fazer este processo com um médico endocrinologista que irá orientar qual a rotina mais adequada a cada caso.

Normalmente avaliamos a diabetes através de 3 medições, que podem ser repetidas ao longo do dia: em jejum (que deve ficar abaixo de 95 mg/dL) e pós-prandiais de 1h e 2h após a refeição (referências abaixo de 140 e 120 mg/dL). A medição em jejum irá avaliar se seu corpo está conseguindo manter a glicose no seu sangue em equilíbrio, que varia em torno de 80 a 95 mg/dL (abaixo disso pode haver risco de hipoglicemia, que é estar com uma taxa glicêmica abaixo do necessário para nossas funções normais vitais, e é um estado perigoso para o organismo); já as medições pós-prandiais irão avaliar o efeito direto de como sua refeição foi metabolizada em termos da glicose. Por exemplo, se você comer doces ou muitos carboidratos provavelmente sua glicemia nas próximas duas horas será acima dos limites de referência.

Ao picar o dedo e medir a glicemia nestas diversas ocasiões por alguns dias já é possível perceber como seu corpo reage à sua alimentação, e a partir daí tomar uma conduta de tratamento da DMG. A maioria das pacientes consegue controlar os níveis glicêmicos com uma dieta mais restrita em carboidratos (e desejável atividade física combinada, que ajuda o metabolismo), porém nos casos mais críticos é necessária a aplicação de insulina combinada à dieta – que é o meu caso. Como disse, minha alimentação já é boa, então não teria muitas alterações a fazer (vou falar mais sobre este tema no próximo post). Descobri que minha tolerância à glicose é baixíssima durante a gravidez, fazendo com que eu não possa comer uma torrada ou fatia pequena de pão (mesmo integrais, mas falarei mais desta diretriz para diabéticos no próximo post) sem estourar os limites glicêmicos. Na primeira gravidez esta era a principal dificuldade: ao comer qualquer tipo de carboidrato ou doce meu corpo não conseguia dar conta de produzir insulina sozinho, e minha glicemia subia muito. Portanto, eu mantinha uma dieta bem restrita em carboidratos e nos momentos de exceção injetava insulina de ação rápida pouco antes da refeição. Vai comer pizza ou uma sobremesa? Só com insulina!!

A aplicação da insulina é bem tranquila, não precisa se assustar com seringas e agulhas enormes. O método mais fácil é por uma canetinha que já regula a dose, e as agulhas são mínimas. A aplicação é na barriga, braços ou coxas, eu sempre preferi a barriga por ter menos músculos, e praticamente não doer (na maioria das aplicações não sinto nada mesmo). Na primeira gravidez foi bem tranquilo seguir o controle da DMG assim, o único ponto é a dose da insulina foi aumentando com o passar do tempo pois a gravidez passa a “exigir” mais do metabolismo e seu corpo também se habitua com a dosagem. A medição da glicemia na ponta do dedo continuou até o final, inclusive no pós-parto que o próprio hospital faz o acompanhamento – e realmente a DMG desapareceu logo após o nascimento do Felipe!

Já na segunda gravidez, que estou vivendo agora, o controle tem sido muito mais difícil pois é irregular. Não tenho mais apenas a relação direta do que comi vs o aumento da glicemia após a refeição, meu corpo também não está conseguindo regular sozinho os níveis glicêmicos durante o dia. Portanto, meu jejum ficou bastante desregulado no primeiro mês da DMG, até acertar junto com meu endócrino a dose de insulina que seria adequada para isso. A insulina que tomo nesta segunda gestação é de outro tipo, chamada insulina de ação lenta, onde a dosagem faz efeito por mais de 12h sendo liberada lentamente no organismo. Esta insulina preciso aplicar diariamente, duas vezes ao dia, para controlar meus níveis glicêmicos basais, e ela também “aguenta” um pouco de carboidratos nas refeições. Quando comecei com esta insulina mantive minha dieta já baixa em carboidratos e conseguia manter dentro dos controles, sem abusos. Eu podia comer uma porção de carboidratos na refeição, preferencialmente no almoço ou a tarde (que foram os períodos mais tolerantes para mim), que ficava ainda dentro dos limites glicêmicos. Nos períodos da manhã e noite descobri que minha tolerância era muito ruim, portanto diminui mais os carboidratos nestes períodos.

Encontrar a dose ideal de insulina é uma tarefa nada trivial. Aplicando todos os dias e dependendo dela para controlar a DMG vivi uma rotina bem diferente da primeira gestação, quando fiz uma dieta restrita mas a aplicação era ocasional. Foi quase 1 mês de alterações de dosagem e aprendizados: dose baixa não fazia efeito, aumenta e começa a fazer efeito mas daí tive episódios de hipoglicemia e uma fome enorme, reduz e as medições saem do limite, aumenta novamente e vai adaptando até chegar num bom controle… E como qualquer alteração que lida com nossos hormônios, o humor oscila muito, minha paciência de grávida já não é lá estas coisas… Sem falar que só o fato de tomar insulina ajuda a engordar – super agradável você ter mais fome, comer menos e ainda engordar mais… Agradeço demais à paciência do meu marido comigo neste período!!

Bem, como a vida é feita de desafios, quando achamos que a dose estava boa (e consequentemente, os controles) duas coisas ocorreram: 1) alguns momentos que não estavam saindo do controle começaram a sair (jejuns e pós-prandiais), devido ao avanço da gravidez; e 2) no exame de ultrassom de 32 semanas tive dois indicativos que a DMG estava começando a afetar minha filha – o que me deixou arrasada. O exame estava dentro do normal, porém tive um aumento de líquido amniótico significativo em relação ao exame anterior (chegando no limite superior da normalidade), e o percentil de peso da minha filha também subiu, da curva dos 40% para 60%. Ambos são indicativos de diabetes gestacional, que pode gerar polidrâmnio (excesso de líquido) e macrossomia fetal. Saindo da sala do exame tomei a decisão de radicalizar na dieta, até o nascimento da Isadora: cortei os carboidratos da alimentação (nem mais uma porção) e alguns dias depois meu endócrino aumentou mais um pouquinho a dose de insulina (pois novamente alguns jejuns saíram). Os meus controles que antes estavam próximos dos limites de 140 e 120 mg/dL de glicose após as refeições caíram para 100 mg/dL, as vezes até 90 mg/dL. Tento comer menos nas refeições (pois tenho que comer no máximo a cada 4h para evitar hipoglicemia, e tenho fome constante), e faço lanchinhos menores e low carb para segurar um pouco da fome ao longo do dia . Eu teria a opção de aumentar as doses de insulina e aplicar também insulina rápida para poder comer algo mais extravagante – por exemplo, arroz na refeição (pois é…), mas não quis fazer isto para não agravar o controle de peso e também para não correr riscos das medições sairem do limite. É uma situação temporária e ao meu ver é melhor se privar um pouco agora do que se arrepender depois.

Duas semanas depois do início da “dieta radical” fiz um novo ultrassom, e desta vez tive boas notícias. Consegui regredir ambas as medições preocupantes: o líquido e o percentil de peso caíram! Incentivo para manter assim até o final (falta pouco)!

Como prometido, para baixar minha planilha de controle glicêmico clique aqui. Deixei as quase 300 medições de picada de dedo que já fiz até hoje, e na aba dos gráficos dá para ver bem a evolução conforme se faz alterações na dieta e na dosagem de insulina. Uso os gráficos para ajudar nas análises e na conduta nas consultas médicas, ajuda bastante discutirmos embasados no material.

No próximo post focarei na alimentação: quais são minhas diretrizes, o que é uma boa dieta para diabéticos (e porque ela não é o que nutricionistas tradicionais recomendam), e algumas dicas se você também está passando por isso…

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A inconveniente visita de 3 meses da diabetes gestacional… (parte 1)

Faz um tempão que não escrevo aqui no blog… Estava em uma fase que comecei alguns posts, não terminei nenhum e não consegui dar muita atenção por aqui. Neste meio tempo engravidei da segundinha (para nascer agora em fevereiro/16), e já está nos planos voltar a escrever e compartilhar um pouco mais da vida de mãe engenheira… 🙂  Aliás, ao descobrir que é uma menina fiquei com um pouco de medo do mundo dos laços e do cor-de-rosa (que não é lá minha praia), algo que foi amenizando e agora sei que a Isadora chegará para me ensinar muito sobre o mundo feminino, mesmo eu sendo mulher!!

O que me motivou a escrever agora é que novamente estou com diabetes gestacional, como na primeira gravidez, e achei pouca informação de experiências de outras grávidas que passaram por isso na Internet. Li diversas notícias em sites, artigos acadêmicos, e além destas informações quero compartilhar minha rotina, acompanhamento da gestação com a doença e os sentimentos em torno disso. Espero que possa ajudar outras grávidas passando por este momento!

Vou escrever alguns posts sobre este assunto! Para começar vou explicar o que é a diabetes gestacional (no meu entendimento de tudo que já li a respeito, e lembrando que não sou médica!). Bem, todo mundo já ouviu falar de diabetes dos tipos 1 e 2, certo? De forma bem simples, na diabetes tipo 1 a pessoa tem uma deficiência na produção de insulina (a resposta que o nosso corpo dá à ingestão de tudo que vira açúcar no organismo), e portanto não consegue produzir o suficiente ou, nos casos mais graves, não produz nada de insulina para metabolizar nem o açúcar necessário para vivermos (nota: quando digo açúcar me refiro a qualquer alimento que, ao ser ingerido, irá liberar glicemia no sangue, não somente alimentos doces. Falarei mais sobre isso depois). Portanto, os diabéticos tipo 1 precisam tomar insulina (geralmente injetável) para suprir esta condição, para se alimentarem e também para manter os níveis normais de insulina no organismo. Já na diabetes tipo 2, a pessoa desenvolve ao longo do tempo uma intolerância à glicose (açúcar), seu organismo libera quantidades cada vez maiores de insulina para metabolizar a mesma quantidade de açúcar, até o ponto de não dar mais conta sozinho e a pessoa ter restrições alimentares ou tomar medicamentos para ajudar neste processo. Para saber mais sobre como a diabetes atua, estudos a respeito e dietas mais efetivas recomendo a leitura do site do Dr. Souto (Dieta low-carb e paleolítica), aqui.

E a diabetes gestacional (DMG)?

A DMG é uma condição temporária, que pode ocorrer na fase metabólica da gravidez (3o trimestre da gestação), motivada por alguns fatores, como tendência familiar, sobrepeso, idade “avançada” (para gravidez, depois dos 30 e poucos anos), má alimentação, SOP (síndrome dos ovários policísticos), entre outros. O “funcionamento” da DMG é parecido com o da diabetes tipo 2, nosso corpo produz insulina porém ela não consegue metabolizar o açúcar no corpo, com uma tolerância glicêmica que vai piorando ao longo deste último trimestre de gravidez, já que o bebê está cada vez maior e “exigindo” mais da mãe para crescer. Além do bebê exigir mais do corpo da mãe neste desenvolvimento (requerendo mais insulina para cuidar de 2 corpos, mamãe e bebê), a placenta forma uma barreira para passagem de insulina, dificultando o aproveitamento da insulina que a mãe produz. Em mulheres sem a condição da DMG, o corpo consegue sobrepor estas dificuldades e produzir a insulina necessária; já em mulheres com DMG temos que dar uma “ajudinha” para que o corpo tenha a insulina necessária para equilibrar os níveis glicêmicos no sangue. Isto é importantíssimo para que o bebê não sofra as consequências da diabetes, que irá desregular o metabolismo dele antes mesmo de nascer e, nos casos graves, pode até causar óbito do feto após o nascimento devido à hipoglicemia.

A parte boa é que a DMG é facilmente diagnosticada, controlável e “some” após a gravidez – nos casos que foi cuidada. A má notícia é que a mulher que já teve DMG tem mais tendência a desenvolver diabetes do tipo 2 no futuro, pois o corpo já deu um sinal que tem dificuldades na tolerância ao açúçar… Por isso tem que se cuidar sempre, com bons hábitos alimentares, manutenção de um peso adequado e evitando o sedentarismo. Importante dizer também que é uma condição diferente da mulher que já é diabética antes de engravidar!

O diagnóstico da DMG é feito através de um exame chamado de GTT (Glucose Tolerance Test), realizado entre 24 e 28 sem de gravidez (início do 3o trimestre). Para grávidas o padrão do exame é realizar 3 medições da glicemia no sangue: em jejum, 1h e 2h após a ingestão de uma solução com 75 g de glicose. Os valores de glicemia considerados acima do normal para estas 3 medições são a partir de 92, 180 e 153 mg/dL, se alguma das coletas do exame atingirem ou ultrapassarem estes números é diagnosticada a DMG. Atualmente menos de 10% das grávidas tem DMG (diagnosticada) no Brasil. Alguns estudos dizem que este número na realidade é maior, porém o exame só é indicado para pacientes que tenham alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença e em alguns protocolos estes valores de glicemia são menos rigorosos. Conheço alguns médicos que já pedem o exame como rotina a todas as suas pacientes. Eu sou da opinião que se a pessoa tem condições deve fazer o exame, pois o mesmo é simples e a DMG não diagnosticada traz consequências bem ruins… E se os resultados derem negativos, ótimo!

Nos próximos posts contarei sobre minha experiência convivendo com a DMG: dieta, controles, insulina, oscilações hormonais e o sentimento de impotência!

Gente, panelaço nãaaaaao!

Não gosto de falar sobre política. Claro que tenho minhas opiniões e convicções, mas nunca gostei de ficar discutindo muito o assunto, pois de certo modo acaba sendo igual discutir religião, cada pessoa com suas crenças – e ninguém abre mão. Neste momento que nós brasileiros estamos passando é bem difícil não falar sobre isso, sinto que todos nós estamos vivendo este processo político intensamente e com muita esperança que algo mude no País. Mas vou tentar manter a minha palavra e não discutir o assunto!

Meu objetivo aqui é fazer um pedido aos cidadãos… Entendo e concordo com a maioria das manifestações para acabar com a impunidade, com a corrupção, com as mentiras. Manifestações por um Brasil mais justo e verdadeiro. Sou contra o governo atual, também quero gritar quando a Dilma faz mais um discurso pronto e igual, independente do que está ocorrendo ao seu redor, ignorando a situação e nos fazendo de bobos. Entendo os motivos, e acho-os muito válidos.

Agora, precisa fazer panelaço na hora dos bebês dormirem???

Meu pedido é por uma forma mais silenciosa de manifestação noturna! Hoje, acho que todos sabem, o Jornal Nacional transmitiu trechos da entrevista da Dilma. Exatamente no horário do Felipe ir dormir. Coloquei ele no berço, estava super cansado já fechando os olhinhos, eu saio do quarto e parecia que estavam batendo panelas na minha sala. Olho pela câmera da babá eletrônica e lá está ele, de bruços com a cabecinha levantada e olho arregalado procurando da onde está vindo todo o barulho. Além das panelas, aqui perto de casa teve vuvuzela também. Perfeito!

Fiquei ao lado dele no berço um tempo. Consegui acalmá-lo, a Dilma saiu da TV e ele foi voltando a dormir. Saio do quarto, em uns 30 segundos a Globo passa um outro trecho da entrevista. Mais panelas e vuvuzelas. Volto para o quarto… Ainda bem que o Jornal não tem tanto tempo assim, e que o pronunciamento não foi ao vivo!

Dias longos e anos curtos

Um amigo me falou, pouco após o nascimento do meu filho, que na maternidade/paternidade os dias eram longos porém os anos, curtos. Parei para pensar e cada vez mais acho que esta constatação é muito verdadeira! Principalmente com bebês, que requerem muita atenção e não precisa muito para o dia ser exaustivo… E a noite também! E, como as crianças de desenvolvem muito rápido, a cada dia já estão diferentes dando a impressão de que o tempo está passando em outra velocidade quando estamos com eles.

Lembro-me das primeiras semanas (senão meses) de amamentação. Por mais que este momento seja maravilhoso, o vínculo da mãe com o bebê, todas as sensações de algo completamente novo, não há como negar que há uma boa dose de sofrimento associado – pelo que pesquisei, para a maioria das mulheres. Nesta fase inicial crítica o que me angustiava, mais do que a dor física no momento, era pensar que dali a menos de 3h começaria tudo novamente, e depois de novo a perder de vista. É o tal do dia longo – parece que não vai ter fim! Principalmente porque no começo os dias se juntam com as noites, e daí não tem fim mesmo, é um ciclo contínuo. Mas claro que passa. Tudo se encaixa e aquilo passa a ser uma rotina prazerosa. E hoje, falando com amigas que se tornaram mães na mesma época que eu, já estamos começando a vivenciar o desmame! Irônico… os dias intermináveis passaram muito rápido!

E falando em amigas, este é um ponto essencial na maternidade: ter com quem trocar figurinhas. Ajuda muito a enfrentar os dias longuíssimos! E também é ótimo para compartilhar as novas descobertas e coisas boas. Para quem quiser ler mais sobre a importância da maternidade em rede recomendo o post que minha prima Bruna, mãe querida da minha rede, escreveu em seu blog.

Nestas trocas de mãe é legal que a gente revive algumas coisas passadas, através de filhos mais novos que o seu, e já antecipa algumas coisas que estão por vir, sabendo das novidades das crianças mais velhas. E daí confesso que as vezes me pego numa contradição: dá saudade de como era antes e quero vivenciar algum momento de novo, ao mesmo tempo que quero que meu filho cresça logo para já poder passar alguma outra experiência com ele! Por isso que devemos viver intensamente cada momento, tentando tornar os anos um pouco mais longos…

Vida compartimentada

Sou uma pessoa sistemática e organizada, mas nunca fui de seguir uma rotina rígida, como acordar, comer e dormir sempre no mesmo horário. Isso na vida pregressa… Após o nascimento do Felipe as coisas mudaram um pouquinho! Claro que ainda não sou super regrada quanto aos meus horários, mas os horários dele são quase que religiosos! Desde bem pequeno o Fefê é um reloginho para comer e dormir, e consequentemente uma das minhas primeiras constatações na rotina de ser mãe é que a vida é feita de intervalos.

Um bebê recém-nascido é um come-dorme: basicamente mama e tira sonecas (claro que tem um pouco – ou muito – de choro no meio disso, mas não vamos focar nisso agora). No início é muito difícil tentar fazer alguma coisa enquanto o bebê dorme durante o dia, pois as mamadas rodam de 3 em 3 horas madrugada a dentro… Então a maior vontade é dormir também. Mas com o decorrer das semanas e meses, o bebê passa a dormir mais a noite e a mãe vai conseguindo retomar a vida durante o dia. Porém a rotina persiste: até os 6 meses de amamentação exclusiva, de 3 em 3 horas lá está ele mamando… Como eu tenho esta possibilidade, eu fiz (e continuo fazendo) questão de amamentar o máximo possível, e rapidamente eu comecei a planejar meu dia pelos intervalos entre mamadas. Pensava: no primeiro intervalo vou dar um pulo no mercado, no terceiro intervalo ele costuma dormir mais e vou mandar aqueles emails… E também marcava visitas das pessoas logo no início de algum intervalo.

Voltei a trabalhar desta forma, nos intervalos. Minha mãe me ajuda ficando com o Felipe enquanto eu tinha em torno de 1,5 a 2 horas “líquidas” de trabalho – pois o intervalo real não é de 3 horas! O intervalo começa a contar no início de cada mamada, uma das primeiras “pegadinhas” que aprendemos assim que viramos mãe, e daí vem o tempo mamando, a troca de fralda, o colocar para arrotar… E quando você percebe a próxima mamada já é dali 1 hora!

Após os 6 meses, vem a primeira “libertação”: algumas mamadas viram refeições com comida, outras pessoas podem ajudar mais, e nossos intervalos ficam maiores. Antes eu tinha 4 intervalos pequenos no dia, agora são 2 grandes, pois há mamadas de manhã, a tarde e a noite. Já dá para organizar bem melhor os compromissos, tanto profissionais quanto pessoais, e o tempo rende mais (com menos de 2h é começar a fazer alguma coisa e… acabou o tempo!). Na semana passada tive duas reuniões e fiquei o dia todo fora de casa, dando só a primeira e a última mamada (ele tomou uma mamadeira na mamada da tarde). Fiquei até meio perdida com o dia todo pela frente que nem sabia por onde começar! Achei que ia conseguir fazer zilhões de coisas. Claro que no final do dia não tinha feito tudo o que planejei, meu cérebro foi otimista demais e “esqueceu” o quanto que reuniões tomam do nosso tempo e ainda trazem mais tarefas para depois.

A grande lição aprendida nesta vida compartimentada em intervalos, para mim, é de se perdoar mais, e exigir menos de si próprio. A impressão é que estamos sempre correndo atrás do prejuízo, sempre deixando alguma coisa importante para fazer no próximo intervalo possível… A lista de afazeres é interminável, e o tempo escasso. Mas quando olho um pouco mais de longe, vejo como nós, mulheres, de alguma forma sempre conseguimos dar conta do recado.

Por que as coisas parecem mais fáceis do que realmente são?

Todo final de ano é corrido, mas fiquei com a impressão de que o de 2014 foi até um pouco pior… E eu estava tranquila! Acho que foi justamente porque eu subestimei esta época do ano que fiquei tão cansada! Justifico-me: aconteceu uma somatória de eventos que, isoladamente, não eram muito estressantes, porém no conjunto potencializaram um efeito devastador! É a complexidade ocasionada pela quantidade de tarefas e preocupações.

Eu sempre tive uma certa tendência de subestimar as coisas, e achar que elas vão ser mais rápidas ou mais simples de serem executadas. No final das contas eu quero fazer tudo, sou extremamente perfeccionista e não consigo fazer “rapidinho”, e acabo gastando mais tempo e energia do que o previsto. Originalmente eu não tinha muitos compromissos em dezembro. Alguns encontros de final de ano, a festa de natal, a usual compra de presentes. Mas o principal de 2014 é que eu marquei o batizado do Felipe pro último fim de semana antes do natal, e já sabendo que eu provavelmente não teria muito tempo para preparativos, organizei tudo da maneira mais prática possível – terceirizando. Como sempre gosto de fazer alguma coisa, principalmente para comer, escolhi dois docinhos apenas para preparar em casa, e a preparação do ambiente.

Lição n.1: Com bebês tudo demora mais, e você deve deixar muito tempo livre para imprevistos.

Realmente não tinham muitas tarefas pelo meu planejamento, juro! Porém no dia anterior, quando fui arrumar a sala onde receberia nossas famílias para o batizado, choveu muito em SP e só peguei trânsito, meu filho foi ficando cada vez mais irritado, querendo mais colo que o habitual e estranhando toda situação, e acabei de arrumar tudo lá pela 1 da manhã. Claro que tinha que estar na Igreja as 10h30 do dia seguinte, com todos arrumados, e a noite após todo o agito não foi das mais calmas também. Deu tudo certo, no fim do evento eu estava feliz e satisfeita, e… exausta.

Ok, passou, agora é só curtir o natal! Três dias depois do batizado eu tinha consulta na pediatra, a consulta de 6 meses onde ela orientou em relação ao início das papinhas. A introdução de alimentos sólidos é uma fase muito legal do desenvolvimento da criança, eu eu estava esperando ansiosamente por esta consulta. Sempre apreciei comer como um dos prazeres da vida, e quero muito passar isto para meu filho, dele aprender a gostar de diferentes sabores e saber se alimentar com equilíbrio. A consulta foi ótima, a médica disse que já poderia começar imediatamente a papinha de legumes e alguns dias depois já introduzir carnes. Só para contextualizar: isso era ante-véspera de natal, que passamos em SP, e depois fizemos uma viagem de 5 dias no réveillon.

Empolgada para cozinhar para meu filho pela primeira vez, fui ao mercado e no dia 24/12 resolvi fazer comida para ele almoçar por 3 semanas. Uma decisão útil, mas não muito sábia como percebi no final do dia… Comecei cedo a preparar caldos de carne e frango naturais, para cozinhar os legumes, e depois fiz diversos purês. Congelei tudo em potinhos de 1 a 2 porções, separadamente, para poder montar o cardápio de cada dia na hora. Ficou sensacional e super prático, e eu fiquei mais feliz ainda pois o Felipe já comeu bem sua primeira papinha na véspera de natal. Tudo perfeito, principalmente se eu pudesse tomar um banho, assistir um filminho e ir dormir, quando acabei tudo por volta das 19h00… Mas opa, era natal!

Lição n.2: Não faça tudo de uma vez se você não precisa, e se você não poderá descansar depois – principalmente com crianças.

Era só cozinhar uns legumes e amassar… E bater o que fosse preciso, cozinhar as carnes, picar temperos, higienizar tudo, lavar muita louça! Claro que sabia de todas as atividades necessárias, mas elas são tão simples isoladamente… Achei que não fosse levar o tempo que levou. Passei o natal bocejando e com dor nas costas! Acho que esta foi uma lição aprendida.

Felipe com sua papinha "libertadora": de vez em quando pode fazer bastante bagunça!
Felipe com sua papinha “libertadora”: de vez em quando pode fazer bastante bagunça!

Ser mãe é um aprendizado constante. Meio cliché, mas verdade. O Felipe, com seus 6 meses de idade, está trabalhando ativamente para me deixar mais flexível e tolerante, e (bem) menos perfeccionista. Alguns dias após o natal, ainda cansada do batizado e do “evento” das papinhas, tive uma crise durante o almoço dele. É óbvio que um bebê que está aprendendo a comer não segue as regras de etiqueta francesa, mas explicar isso para meus sentimentos no momento que a comida ia toda pro chão ao invés de para boca não foi óbvio. Era comida voando, mão na boca cheia, e depois pegando em tudo que se pode alcançar. Aquilo foi me estressando, e eu estava sozinha em casa, não queria passar meu estresse para o Felipe que não tinha culpa de eu estar num momento louco. Parei tudo, deixei ele no cadeirão, caminhei um pouco e respirei fundo… Após me recompor continuei. O melhor de tudo é que ele ficou quietinho observando… Quando voltei fez cara de “agora já pode fazer mais sujeira, mamãe?”. E a cada almoço já nos entendemos bem melhor… Eu tentando ensinar ele a comer fazendo menos bagunça, e ele me ensinando que sair limpinho não tem graça!

A defesa das fraldas de pano!

Sim, eu uso fraldas de pano – e adoro! Quando dizia que iria usar com o Felipe a maioria das pessoas me olhava como se eu fosse louca… Eu fui conservadora e não quis fazer propaganda antes de comprovar que era possível usar de forma práticas as fraldinhas, então não me sentia a vontade para falar nada até agora. Mas já faz mais de 4 meses que tenho usado – com sucesso – somente fraldas de pano, então já posso contar minha experiência (que é bem positiva).

Fui saber da existência das fraldas de pano modernas quando estava grávida. Pesquisei um monte de coisas para o enxoval e desenvolvimento do Felipe (ainda vou falar mais disso em outros posts…), e algo que me chamou a atenção foram as “cloth diapers” (fraldas de pano). Não eram aquelas iguais a que a gente usava quando era pequeno, e sim muito bonitas e aparentemente práticas pelos relatos das mães. Li diversos blogs que falavam sobre isso, buscando entender como funcionavam, como era a rotina com as fraldas – as temidas lavagens! -, quais eram as vantagens e desvantagens. E confesso que só fui entender bem tudo isso depois que comecei a usar!

Mesmo sem ter a dimensão completa, comprei a ideia. E quando eu encasqueto com alguma ideia é difícil me convencer do contrário… Os dois principais benefícios para mim são o lado sustentável (me dói o coração colocar no lixo todos os dias um saquinho de fraldas sujas), e o maior conforto do bebê. Claro que tem um benefício financeiro também, mas este só se dá no longo prazo se vc usar bastante, pois cada fraldinha é cara. E o fato de serem super fofas também ajudou na decisão!

Com a decisão tomada, fui às compras. Consegui ir numa loja especializada em fraldas de pano nos Estados Unidos, e a vendedora me ajudou bastante para saber o que levar. Depois descobri que aqui em SP também tem lojas especializadas, e na Internet brasileira, algumas boas opções. De forma bem resumida, existem 2 tipos básicos das chamadas “fraldas de pano modernas”:

– pré-dobradas (prefold): é somente o tecido absorvente. que você deve usar com uma capa plástica por cima. A diferença desta para as fraldas de pano tradicionais é que o tecido desta fralda é bem absorvente e encorpado (tem camadas internas), e não é preciso dobrar tantas vezes igual à fralda Cremer, por exemplo (tradicional). Neste link tem um vídeo tutorial de como usar esta fralda;

– de bolso (pocket) e AIO (all in one): ambos os modelos são muito parecidos. O conceito é o mesmo, são réplicas de pano de uma fralda descartável. A capa plástica e o tecido são costurados, e o tecido que fica em contato com o bebê é de secagem rápida, ou seja, deixa passar o xixi para o recheio absorvente da fralda e mantém o bumbum sequinho. A fralda pocket tem um inserto (recheio da fralda) que é avulso do conjunto, enquanto na AIO o inserto é costurado na fralda. Neste link tem um vídeo tutorial de uma fralda pocket.

Comprei dos três modelos, e depois usando não me adaptei com as prefold, pois deixam o bebê em contato com o tecido molhado e são muito volumosas. Além de que vazavam bastante com o meu filho! Já as pocket e AIO foram excelentes, o único porém é que não as achei adequadas para usar no bebê recém-nascido. Estas fraldas são de tamanho único (o ajuste é feito por botões para deixar a fralda menor), e devem servir de 0 a 2 anos (toda vida fraldada do bebê), mas no menor tamanho possível ainda ficam grandes para um bebezinho. No meu caso ainda, que meu filho nasceu prematuro com 2,5 kg, elas ficavam gigantes! Então comecei a usá-las quando ele estava perto dos 4 kg.

Algumas fraldinhas de pano do Felipe
Algumas fraldinhas de pano do Felipe

Bem, e a rotina? As trocas são feitas na mesma frequência das fraldas descartáveis, e a grande vantagem é que as fraldas de pano muito raramente vazam cocô. O xixi pode vazar se as fraldas estiverem muito cheias, porém isso você ajusta com a quantidade e tipos de insertos absorventes. Por exemplo, meu filho faz mais xixi de manhã, então uso fraldas com mais recheio neste período. Outra vantagem é o bumbum do bebê fica bem limpinho mesmo com a fralda suja, pois o tecido absorve o xixi e cocô, e não há necessidade de pomada anti-assaduras. Junto as fraldas sujas em um saco impermeável chamado “wet bag”, e lavo dia sim dia não. Direto do saco para a máquina, ciclo forte, pouquíssimo sabão de coco, secam rapidíssimo.

Sobre custos: uma fralda de pano custa em torno de R$ 50, e a quantidade necessária dependerá da sua rotina. Eu tenho 15 fraldas. Em 2 anos um bebê deve usar mais de 4 mil fraldas, a descartável a um preço camarada de R$ 0,50/unidade já soma mais de R$ 2 mil! E sobre a questão de maior consumo de água (e as lavagens precisam ter abundância de água senão as fraldas não ficam limpas), não tenho como precisar valores ou o tamanho deste impacto, porém acredito fielmente que é menor do que a decomposição de 4 mil fraldas descartáveis.

Mas como nada nesta vida é só de um jeito, e não sou xiita, uso sim fraldas descartáveis em algumas situações! Saídas muito longas ou viagens, principalmente. E só para não ajudar, a última vez que tive que usar uma descartável, vazou…